Web Rádio Chiado de Chinelo

sábado, 3 de março de 2012

Segundo dia de atividades. Mini-curso: Conhecendo e desenvolvendo a leitura (I)

Na atividade do dia 27-01 contamos com a presença de33 pessoas para desenvolver conceitos, a partir das experiências do público, do que é ler/leitura. O público falou que ler é interagir, adquirir conhecimento, informação, compreensão. Com isso, foi questionado tipos de textos que eles lêem no dia-a-dia, tentando mostrar que tudo que lemos e conseguimos compreender ou que traz um significado para nós é um texto. Explicamos que todo texto pertence a um gênero textual e para iniciar a discussão sobre gênero mostramos o primeiro exemplo/atividade: a leitura de uma história em quadrinho (HQ).
Após a leitura individual e coletiva, perguntamos se o público já havia lido alguma HQ, de que personagens eles lembravam. Solicitamos que falassem quem eram os personagens da HQ do exemplo e suas características, neste caso Chico Bento e Zé Lelé. Iniciamos então a discussão sobre o conteúdo da HQ, o que eles entenderam. Mostramos que um texto não deve ser lido apenas na sua superfície, mas devemos atentar para as entrelinhas e, com isso, questionamos o porquê do uso de palavras caipiras pelo Chico Bento. Nesse contexto, discutimos as variantes lingüísticas elucidando que não existe um falar certo ou mais correto, mas adequar nossa fala a situação, de modo que não sejamos preconceituosos em relação ao sotaque ou fala de outrem.



Vimos os discursos que há por trás dessa HQ que são o do desmatamento, da seca, dos problemas ambientais. Os discursos servem para nossa compreensão do que realmente um texto quer nos passar, mas para isso precisamos nos situar num contexto. Assim, mostramos que estamos num contexto de problemas ambientais e com isso conseguimos compreender a intenção do autor na tirinha ao invés de apenas enxergar humor. Elucidamos que HQs não servem apenas para diversão e entretenimento de crianças, mas como conscientização conforme o tema o qual ela aborda.




Apresentamos de que forma se constrói personagens em uma estória, de modo a facilitar o entendimento e a criação de HQs pelo público. Assim concluímos a atividade com a produção de HQs, leitura e apresentação das mesmas, com o objetivo de verificar os diversos olhares que leitores podem ter de uma mesma HQ, olhares que dependem da leitura de mundo que cada sujeito possui sobre determinado assunto.



Primeiro dia de Atividades na cidade de João Lisboa - MA

Palestra sobre concepção e incentivo à leitura, apresentando os programas do governo: PNLL e o PROLER.  (realizada por Jéssica Rodrigues (pedagogia) e por mim (Letras))



Com um público de 110 pessoas, iniciamos a discussão em torno da concepção de leitura que eles tinham, observando os conceitos que alguns pensam sobre o que é ler.  Começamos a palestra e fomos questionando se o que estava sendo exibido existe no município ou se a própria população tem conhecimento sobre os programas do governo. A maioria do público relatou que conhecia os programas de incentivo à leitura.



Discutimos sobre a infra-estrutura do município, se há ambientes agradáveis de leitura, em que estado de conservação estão as bibliotecas e se as escolas possuem esses locais de leitura. O público afirmou que existe, contudo apenas nas de grande porte. Além disso, mesmo sem bibliotecas, os professores afirmaram que faziam uso dos livros. Apresentamos uma revista elaborada pela secretaria de educação básica a qual provoca a reflexão dos professores acerca do papel da leitura para a formação dos alunos, trazendo boas experiências dos municípios, além de reportagens e artigos  sobre outros tipos de leitura, como a leitura de imagens, fotográficas, de quadros, de músicas, da linguagem teatral. O público não conhecia a revista e achou interessante.
Discutimos sobre as avaliações que o país faz, mas que na verdade não modifica ou melhora a educação, uma vez que não influencia na mudança da pedagogia por parte dos professores. A partir disso, ressaltamos a importância do papel do professor em mudar essa ‘roupagem’ e inovar as aulas, sem utilizar a leitura apenas como forma de obter uma boa posição no ranking de escolas, mas buscar novas práticas de ensino, e, com isso iniciamos a palestra intitulada: Professor: um agente de letramento.
Na palestra discutimos o avanço do MEC quanto ao oferecimento da formação do professor no âmbito da leitura a partir do diagnóstico da realidade brasileira. Mesmo com esses avanços não há garantia de que os professores irão incentivar a leitura. Mostramos os aspectos do desenvolvimento no processo de leitura e do leitor.
Entregamos um poema (Brincando de não me olhe, de Elias José), o qual foi lido por um voluntário do público, na tentativa de mostrar como incentivar um aluno a ler através de textos atrativos e com linguagem de fácil acesso. Em seguida exibimos um vídeo do poeta Jessier Quirino o qual narra situações corriqueiras e com uma linguagem regional, de modo que seria possível uma aula utilizando desse recurso de vídeo que além de mostrar as variantes lingüísticas, possui ainda o caráter cultural-regional.
Em seguida, dividimos em grupos para uma dinâmica. Cada grupo elaboraria um plano de aula que abordasse o incentivo a leitura. O resultado foi satisfatório e ambos os grupos trocaram sugestões e experiências. Um grupo ressaltou a premiação como fator determinante para incentivo, de modo que os alunos ao ler ganhariam prêmios. Os alunos teriam um baú de história, o qual teria objetos e cada objeto retirado faria parte da história montada pelo aluno. A outra opção era assistir a um vídeo de mesmo assunto que o livro o qual desse suporte a criação de uma história pelos alunos depois que lessem o livro.







Retomando as postagens

Olá pessoal.
Nossa, desde o ano passado que o blog está parado por vários motivos. Contudo, sempre que possível estarei postando notícias sobre educação, ensino de línguas, práticas de atividades pedagógicas e experiências educacionais.
Então, para iniciar as postagens, dedicarei uma série de atividades realizadas por mim no Projeto Rondon que foi realizado em janeiro de 2012 na cidade de João Lisboa no Maranhão.
Para quem não conhece o Rondon vou explicar o que é e como funciona.


O Projeto Rondon, coordenado pelo Ministério da Defesa, é um projeto de integração social que envolve a participação voluntária de estudantes universitários na busca de soluções que contribuam para o desenvolvimento sustentável de comunidades carentes e ampliem o bem-estar da população. As atividades realizadas na comunidade são feitas conforme o curso do aluno rondonista e a demanda do local escolhido pelo Ministério da Defesa. O Projeto é realizado em parceria com diversos Ministérios e tem o apoio das Forças Armadas, que proporcionam o suporte logístico e a segurança necessários às operações. Conta, ainda, com a colaboração dos Governos Estaduais, das Prefeituras Municipais e de empresas socialmente responsáveis.
Foi criado em 1967 e durante as décadas de 1970 e 1980, permaneceu em franca atividade que tinha maior preocupação assistencialista, tornando-se assim conhecido em todo Brasil. No final dos anos noventa, o Projeto deixou de receber prioridade no Governo Federal, sendo extinto em 1989. Em 2005, já com uma nova roupagem, o Projeto Rondon voltou a figurar na pauta dos programas governamentais.
O Rondon tem por objetivos: contribuir para a formação dos universitários como cidadãos, integrá-los ao processo de desenvolvimento nacional, por meio de ações participativas sobre a realidade do País, concretizar nestes o sentido de responsabilidade social, coletiva, em prol da cidadania, do desenvolvimento e da defesa dos interesses nacionais, e estimulá-los a produzir projetos coletivos locais, em parceria com as comunidades assistidas.

Pertencíamos ao  conjunto A de ações do projeto, que contém os eixos da cultura, dos direitos humanos, da justiça, da saúde e da educação.

domingo, 24 de julho de 2011

Resenhas críticas em Inglês

Segundo Paula Takada, da revista Nova Escola, ao trabalhar com resenhas críticas em inglês, os alunos aprendem como apresentar informações e expor seus pontos de vista.
É sempre bom matar dois coelhos com uma cajadada só.
Segundo esta reportagem, os alunos aprendem tanto a técnica de escrever bem, ao ler suas próprias resenhas, observando os pontos de coesão e coerência com os quais o texto obteve sentido, quanto aprendem e desenvolvem o vocabulário inglês.






É na seção de cultura de jornais, revistas e sites que encontramos resenhas críticas, um gênero textual que nos ajuda a escolher que obras valem a pena ser consumidas. Umas mais elogiosas, outras mais ácidas, elas reúnem um resumo do material (mas não revelam o desfecho da história no caso de livros, filmes e peças teatrais), informações extras (como dados biográficos do autor) e opiniões de quem as escreve. 


Analisar e produzir esse tipo de texto em inglês ajuda a turma a explorar os tempos verbais simple present e simple past, o vocabulário descritivo e expressões opinativas, como I likeI dislikeI agree e I disagree. Por causa de todos esses requisitos e pelas características já descritas, as resenhas devem ser abordadas preferencialmente com turmas das séries finais do Ensino Fundamental, que dominam vários conteúdos do idioma e podem usá-los ao mesmo tempo. "Para escrever uma boa resenha, é preciso saber resumir, parafraseando o autor original, consultar vários textos e articular o que eles revelam, além de consolidar uma opinião e justificá-la", diz Vera Cristovão, pesquisadora na área de Linguística Aplicada e professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL).   As mesmas competências são colocadas em jogo quando se estuda um texto publicado. Aliás, esse é o primeiro passo para inserir os estudantes no desafio de resenhar, como fez Maristela da Silva, professora do 8º ano do Colégio Estadual Nossa Senhora de Lourdes, em Londrina, a 379 quilômetros de Curitiba. Ela propôs que produzissem resenhas de filmes (movie reviews, em inglês), que seriam lidas pela comunidade escolar. Para que todos entrassem em contato com o gênero, apresentou modelos. Depois da leitura, organizou uma discussão sobre os elementos que os textos continham (como título, informações sobre a obra e momentos descritivo-narrativos) e do modo como estavam organizados, compondo a estrutura. A educadora também chamou a atenção para os mecanismos linguísticos que asseguram a coesão. Na hora de escrever as próprias resenhas, cada um teve de escolher um filme. "Esse processo envolveu etapas de planejamento, revisão e reescrita", explica Maristela. Assim, ela garantiu que todos produzissem resenhas de qualidade e cheias de personalidade. 

terça-feira, 5 de julho de 2011

Novas tecnologias exigem novos conteúdos

Para Ana Teresa Ralston, diretora da tecnologia de educação e formação de professores da Abril Educação, ao se trabalhar com soluções digitais é preciso entrar em sintonia com a linguagem do aluno, além de ser necessário também orientações pedagógicas que transformem o trabalho em algo significativo e não apenas se torne uma distração.

Nesse contexto, apresentamos mais um artigo sobre o uso das novas tecnologias na sala de aula, as quais podem ser eficazes quando há planejamento e formação do professor naquilo que será ministrado através de uma mídia. Não adianta mudar a plataforma de ensino para ensinar um conteúdo sem uma mudança na forma de abordagem. Essas mudanças podem ser significativas para o processo de aprendizagem dos alunos, uma vez que são novas plataformas que podem facilitar a explicação de um conteúdo, diferindo do método tradicional – lousa, professor, aluno.

Abaixo segue uma entrevista com Ana Teresa Ralston para a revista Veja sobre tecnologia na educação. Disponível em: < http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/novas-tecnologias-exigem-novos-conteudos >



O mercado editorial e as empresas de sistemas de ensino começam a se preparar para uma nova realidade: a do livro didático digital. Com dispositivos como laptops, e-books e iPads, um novo cenário se apresenta para a educação. E também novos desafios. “Novas tecnologias requerem novos conteúdos”, diz Ana Teresa Ralston, diretora da tecnologia de educação e formação de professores da Abril Educação - grupo que reúne editoras e sistemas de ensino e é controlado pela família Civita, que também é dona da editora Abril, que publica VEJA. Convidada a falar sobre o tema em um painel especial da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que se encerra neste domingo, a especialista, diz que ainda é preciso investir tempo e recursos para criar um livro didático 100% digital e multimídia. Confirma a seguir os principais trechos da entrevista.
O futuro do livro é incerto, mas o processo de digitalização já começou, com os e-books, iPads e outros dispositivos. Em relação às obras didáticas, o que é possível constatar?
É possível dizer que temos uma revolução escondida. Uma revolução que já começou, mas que escapa à nossa observação porque acontece no processo de produção do livro didático. Ao produzi-lo, já utilizamos todos os artefatos tecnológicos disponíveis. Porém, o que se analisa agora é quando isso estará presente na versão final do livro, ou seja, quando ele será completamente multimídia e virtual. Muitos estudiosos apontam que a educação levará mais tempo do que outras áreas para incorporar todas essas inovações.
Qual a razão dessa demora?
No meio educacional, as tecnologias demoraram mais a serem incorporadas, em virtude das mudanças que elas imprimem nos padrões, na formação dos educadores, na produção do material de apoio e na infraestrutura das escolas. Novas tecnologias requerem novos conteúdos, e, para isso, é preciso profissionais capacitados, preparados para produzir esse novos conteúdos. Além disso, o professor que irá usar essas ferramentas também precisa ser formado para a essa tarefa.
Então, o que ocorre nesse processo não é a simples digitalização do conteúdo impresso, mas, sim, a criação de novos conteúdos.  
É importante lembrar que, quando falamos desse processo, abordamos três elementos distintos: o livro didático impresso, o livro didático impresso digitalizado - e isso já fazemos - e o livro 100% virtual. Nesse último, o que ocorre não é a simples transferência do impresso para o digital. É uma outra comunicação, que acontece em outra mídias. E acho que esse é o grande desafio: a maneira como organizamos os conteúdos na mídia impressa é diferente da maneira como o fazemos na mídia digital.
Esse novo tipo de conteúdo, mais familiar aos alunos que já utilizam as tecnologias fora da sala de aula, pode alimentar o interesse dos estudantes pelo que se ensina nas escolas?
Quando trabalhamos com soluções digitais, procuramos entrar em sintonia com a linguagem do aluno. Mas essas soluções precisam ser utilizadas com orientação pedagógica para que sejam significativas. Caso contrário, viram só distração.
Como evitar que o livro didático digital seja uma armadilha? 
Eu costumo dizer que o meio digital evidencia uma aula mal dada. Às vezes, temos uma aula que não foi a ideal, mas não há registros dela. Já com a tecnologia digital tudo fica registrado. Então, é preciso usá-la para enfatizar boas práticas, para ilustrar situações que não seriam possíveis de outra forma. A tecnologia é um recurso poderoso, viável e possível e não deve ser usado como enfeite. Para isso, é importante pensar quais recursos são relevantes para esse novo ambiente. Caso contrário, retira-se essa relação afetiva que temos com o papel e com a leitura sem adicionar nenhum ganho.
Quais podem ser os ganhos da adoção da tecnologia na educação? 
São as possibilidades de interação, de animação, de ilustração, de relacionar os conteúdos e fazer pesquisas. Em disciplinas como química, física e biologia, por exemplo, é possível simular situações. O professor pode ainda trabalhar infográficos de tempos históricos e evoluções geológicas. Pode trabalhar com pesquisas imediatas dos assuntos que estão sendo trabalhados naquele momento. É possível estimular o aluno para a possibilidade de troca, de colaboração, de construção do conteúdo em conjunto. Esse tipo de habilidade e competência é uma demanda do mercado de trabalho. E se o aluno começar a vivenciar isso no mundo da escola, ele vai poder ter essa habilidade como algo natural no mundo do trabalho.
Quais as dificuldades envolvidas na criação de um livro didático multimídia? 
Precisamos conceber um produto diferente, não apenas digitalizar o que já existe. Além disso, precisamos viabilizar o acesso a todas as escolas brasileiras, nos mais remotos lugares. Aí, temos o desafio da entrega – e também da produção. Hoje, apenas começamos a trabalhar com alguns componentes agregados, ou seja, a pensar conteúdos de forma integrada.
As empresas de sistemas de ensino já estão se preparando para essa nova realidade?
Já. A digitalização de livros e apostilas já existe. O que começamos a fazer agora é desenvolver o material integrado: o meio impresso e o meio digital. O esforço é na produção de conteúdos virtuais, cada vez mais relevantes, integrados e efetivos. Ainda não pensamos em um produto 100% digital porque pensamos antes no material impresso, e depois partimos para o virtual. Acredito que pensar a totalidade do produto no ambiente virtual seja o nosso próximo passo.
Alguns especialistas pregam o fim do livro tal como nós o conhecemos, enquanto outros defendem que, apesar dos avanços tecnológicos, ele jamais deixará de existir. Quais são suas previsões? 
Acho que ainda é cedo para previsões. Contudo, é hora de pensar nas evoluções da integração das mídias e se preparar para elas. Particularmente, não acredito que teremos uma mídia só. Aposto em uma segmentação. Nós pensaremos sobre qual a melhor forma de transmitir cada conteúdo. Ainda temos gerações que possuem uma relação muito próxima com o livro e alguns conteúdos seguirão sendo consumidos na mídia impressa. O que talvez tenha mudado é que hoje avaliamos o conteúdo antes de consumi-lo. Então, baixamos um livro no Kindle, por exemplo, e, se gostamos da leitura, compramos a versão impressa.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Novas postagens em breve...

Galera, devido ao período de recesso e férias estamos descansando e sem postar no blog. Contudo aguardem que em breve estaremos de volta com mais informações sobre ensino.

sábado, 28 de maio de 2011

O twitter como ferramenta pedagógica

Mais uma vez as plataformas tecnológicas podem auxiliar no ensino-aprendizagem. Desta vez, pesquisadoras da Universidade Nacional de La Plata, na Argentina, mostram a partir de uma investigação, as possibilidades didáticas sobre o uso do Twitter como ferramenta pedagógica para trabalhar a produção de textos.

Abaixo segue a reportagem na íntegra:
Por Camila Monroe e Anderon Moço, da Revista Nova Escola. 


No artigo Culturas Escritas y Escuela: Viejas e Nuevas Diversidades, as pesquisadoras Natalia Zuazo e Mirta Castedo argumentam que o Twitter é uma ferramenta tecnológica que permite trabalhar com versões reduzidas de diferentes gêneros textuais, como notícias e contos, escritos em até 140 caracteres.
Na entrevista a seguir, as pesquisadoras falam sobre a produção de microcontos no site, comentam as intervenções do professor nesse processo e abordam a relação imediata entre autor e leitores, que caracteriza as publicações na rede social.

Em sua pesquisa, vocês tratam das possibilidades de interação entre o leitor e os autores na Internet. Isso também acontece no Twitter?
NATALIA ZUAZO Sim. No Twitter temos uma visão muito clara do autor. Ele escreve em primeira pessoa, vemos sua foto, o dia e a hora em que escreve. A ferramenta permite uma interação imediata, não editada, que vai construindo conjuntamente a história.

E como isso contribui com o trabalho em sala de aula?
MIRTA CASTEDO Depende do trabalho planejado. Se você propõe que a turma siga um autor, é relevante saber quem diz o quê, como ele está mudando ou mantendo o que diz. Se a proposta é seguir um tema, o foco será a argumentação. Se o trabalho é com uma seleção de tuítes literários, vale comparar os recursos da ferramenta com outros contos breves de autores consagrados. Talvez seja possível descobrir que alguém escreve como Monterroso [escritor guatemalteca, autor de "A ovelha negra e outras fábulas"] ou como em alguns contos breves de origem oriental.

É possível trabalhar os conteúdos de Língua Portuguesa utilizando o Twitter em escolas sem computadores ou acesso à Internet?
NATALIA Além da plataforma, que funciona como uma mistura de blog (porque publicamos textos cronologicamente, sempre com o mesmo autor) e de rede social (porque seguimos e somos seguidos pelos outros), faz parte da natureza do Twitter o imediatismo da publicação - escrevemos, publicamos e somos lidos, instantaneamente. Esse imediatismo condiciona a forma como os tuítes são concebidos. Por isso, não sei se faz muito sentido escrevê-los off-line e depois publicá-los quando tivermos acesso a um computador. No suporte online, a construção da história também se dá pelas interações com outras pessoas, que se misturam com o que escrevemos. Se não estamos online para ir construindo as histórias, um recurso importante da plataforma é desperdiçado.
MIRTA Não podemos esquecer que uma escola é uma escola. Isso significa que o grau de transformação das práticas sociais de referência na escola varia em função dos propósitos de ensino. Por isso, é indispensável mergulhar na prática e, depois, quando já se conhece a prática, o professor pode "parar" a ação para analisá-la. Nesse caso, tanto faz estar online ou não, porque é possível trabalhar com a análise de tuítes, sem produzi-los em tempo real.

É importante estudar modelos de microcontos antes de se começar o trabalho?
NATALIA Acho que é preciso estudar que características tornam um microconto bom. O Twitter oferece boas oportunidades para se estudar o gênero, sua história e ler contos curtos.
MIRTA Colocamos os alunos para produzir e, ao fazermos isso, ajudamos a turma a refletir sobre "como se faz", "por que", "sob quais condições", "quais são os efeitos" etc. Dessa forma, construímos modelos de produção e modelos de produtos. Não se trata apenas de mostrar e de explicar, mas de fazer (ler, escrever, responder, contra-argumentar) e refletir sobre o que se faz. Algo muito importante nesse contexto é fazer comparações: comparamos os tuítes com os relatos mínimos em papel preexistentes; a ironia no tuíte com a ironia em uma nota de jornal; a metáfora do tuíte com a da lírica. Porque o tema em questão não é somente o Twitter, mas a cultura escrita.



Modificar os textos é um ponto importante sobre a utilização do Twitter em sala? Como o professor pode lidar com essa questão no trabalho com microcontos?
NATALIA No Twitter é possível apagar um tuíte anterior, mas isso não é bem visto segundo as regras de etiqueta na rede ["netiqueta"]. Ele foi pensado para ser usado em tempo real, e a edição, a modificação ou a correção de textos é feita na vista de todos e fica documentada, tuíte por tuíte. Trata-se de uma plataforma que nos desnuda em nossa construção como escritores. Há quem a use com menos imediatismo e pense muito antes de escrever (editam os textos off-line ou passam muito tempo com a janela do Twitter aberta), outros que apagam os tuítes e outros que não se importam em desnudar a própria escrita para os outros. Se o objetivo é que sejamos conscientes da construção de um texto e de como o modificamos, o Twitter permite fazer isso interagindo com outras pessoas, mas em vez de o fazermos em uma lousa, utilizamos uma plataforma distinta. Se trabalharmos todos juntos construindo um microrrelato de 140 caracteres, podemos editar em conjunto.
MIRTA Ter um interlocutor que não é o professor e que comenta o tuíte, dizendo se entendeu ou não, se causou riso, se compreendeu o contrário do que o autor quis dizer, isso é uma grande vantagem pedagógica.

Nas redes sociais o autor tem uma grande liberdade. Como o professor orienta a produção de texto sem mudar essa prática social?
MIRTA A escola, em alguns momentos, tem que transformar certas condições de circulação e produção dos gêneros justamente para poder estudá-los. Mas, por que isso seria perder a liberdade de autor? Trata-se de uma orientação para que o autor-aluno tenha liberdade de expressar com precisão o que quer dizer.

Quanto à socialização do conteúdo, a publicação na internet basta ou o professor deve criar outras estratégias de divulgação, como a produção de murais na escola?
NATALIA É possível criar outras estratégias de divulgação. Mas, se um mural for criado na escola, é preciso deixar espaço para comentários ou interações, porque senão é como ter um livro na biblioteca com as cinco últimas páginas faltando: vai faltar algo construtivo, que faz com que ele não seja mais um livro.
MIRTA Vamos imaginar uma "semana de Twitter" sobre um assunto de interesse, como por exemplo, o uso do pátio no recreio, onde alunos, professores e funcionários intervêm. Nesse caso, algum grupo poderia tirar conclusões a respeito do assunto e publicá-las para toda a escola. Mas se a situação refere-se a um blog sobre os livros mais recomendados pelos alunos, dando outro exemplo, para que seria necessário publicá-lo em papel? Tudo depende da situação e do gênero trabalhado.

A maioria dos livros didáticos não traz informações sobre essas novas formas de produção de texto. Quais materiais de apoio teórico estão disponíveis para o professor?
NATALIA Os livros não precisam trazer informações sobre "o que é o Twitter", mas sobre o que podemos fazer com ele. Dois aspectos são importantes nesse caso: o técnico e o criativo. O técnico está no Google. Publicar um tuíte não é muito diferente de mandar uma mensagem de texto. Já o criativo pode estar em um livro que fale sobre como escrever um conto, como escrever histórias curtas, que aspectos precisam estar presentes em um texto para gerar mistério, tensão, ironia, poesia. O Twitter é uma plataforma que deve ser usada para se escrever textos com diferentes funções (informar, narrar, fazer rir, fazer pensar). Os novos discursos são construções, na maioria das vezes, baseadas em identidades prévias, das quais nos apropriamos e as modificamos para criar algo novo, mas nunca é completamente novo. Da mesma forma que uma carta e um email são duas variedades do gênero epistolar e um blog pode ser uma variação do gênero diário, da autobiografia ou até mesmo do ensaio, um tuíte é um microrrelato construído em uma nova plataforma, que permite outras possibilidades de interação.